Diretora de Plovdiv, Capital Europeia da Cultura, mantém-se no cargo após polémica com exposição LGBT
08.04.2019 às 22h56
O Teatro Romano de Plovdiv, na Bulgária
Branka Vucicevic Vuckovic
Proposta para demissão, liderada pelos nacionalistas do VMRO, foi recusada em reunião da Assembleia municipal, esta segunda-feira
A montanha pariu um rato. Após semanas de polémica em torno de Plovdiv, Capital Europeia da Cultura 2019, devido à inclusão de uma exposição de cariz LGBT na programação, as várias propostas levadas esta segunda-feira à Assembleia Municipal local para travar o evento foram rejeitadas, noticia o “The Sofia Globe”.
Três moções foram chumbadas: pediam a demissão da diretora artística Svetlana Kuyumdzhiev, do presidente da câmara Ivan Totev como presidente da fundação organizadora e de todo o conselho de administração. As propostas eram lideradas pelos nacionalistas do VMRO, que integram a coligação no poder na Bulgária, e tinham ainda o apoio dos socialistas. O grupo de 21 deputados queria também discutir as contas do evento, mas o diretor executivo Kiril Velchev remeteu para relatórios que já tinham sido aprovados na mesma sede.
Por outro lado, o presidente da Câmara de Plovdiv (eleito pelo GERB, o partido conservador que lidera o país em coligação com uma frente nacionalista) procurou por uma pedra sobre o assunto. Totev pôs-se do lado da equipa organizadora e mostrou-se desagradado por o caso ter tido repercussão internacional.
“Não vou permitir que a Assembleia municipal ataque o projeto da Capital Europeia da Cultura. Há um grande mal entendido acerca desta grande iniciativa e estou muito desagradado com o facto de o debate ter atingido um ponto tão baixo. Estamos a atirar lama para cima deste momento e da nossa cidade. Isto não devia acontecer”, reclamou.
Ivan Totev reforçou a ideia defendida pela diretora artística Svetlana Kuyumdzhiev ao “The Guardian”, de que qualquer interferência na programação só poderia ser “discriminação e censura”. “Quem somos nós para dizer se o projeto é bom ou não? Não temos o direito de interferir no trabalho da fundação”, concluiu.
Em causa estava uma exposição fotográfica com imagens de eventos de orgulho LGBT na região dos Balcãs, denominada “Balkan Pride” – que inclui também um concerto e um fórum de debate – e que está programada para julho.
“Não queremos que façam a exposição. E vamos travá-los, usando todos os meios legais e, se necessário, ilegais”, disse Alexander Sidi, um deputado nacional eleito pelo VMRO, citado pelo “The Guardian”. “Isto é o mesmo que organizar uma parada gay em Plovdiv”, afirmou na semana passada Borislav Inchev, da secção de Plovdiv do VMRO.
Do lado contrário, levantaram-se vozes denunciando um ataque homofóbico. A 19 de março, o edifício que alberga os escritórios da Capital Europeia da Cultura foi vandalizado. Na fachada, foram escritas frases como “não à propaganda gay em Plovdiv”, “ladrões” e ofensas à comunidade LGBT.
A questão financeira foi levantada em janeiro, poucos dias depois da cerimónia de abertura do evento – que se estende ainda à cidade italiana de Matera –. O gabinete local do Ministério Público búlgaro anunciou a instauração de um inquérito sobre os gastos na cerimónia.