Canções de resistência no Jazz em Agosto
12.04.2019 às 0h01
Marc Ribot abre dia 1 o Jazz em Agosto 2019
Ebru Yildiz
O festival da Gulbenkian vai mostrar a força da voz no jazz de intervenção. Serão 16 concertos com muita ‘spoken word’, muito canto e muita improvisação
Dois guitarristas, dois discos de canções dão o tom para a abertura e o encerramento do Jazz em Agosto 2019. Dia 1 de agosto, Marc Ribot abre o festival da Gulbenkian com o projeto “Songs of Resistance”, dia 11 Mary Halvorson fecha-o com “Code Girl”.
O 36º Jazz em Agosto será composto por 16 concertos divididos por dois períodos de quatro dias: de 1 a 4 e de 8 a 11 (de quinta a domingo) e espalhados pelo Anfiteatro ao Ar Livre, Auditório 2, Sala Polivalente e Grande Auditório. Após o especial do ano passado dedicado a John Zorn, o festival volta ao formato habitual, com escolhas do seu diretor artístico, Rui Neves.
A voz será um elemento dominante em concertos por grandes formações como a dos Heroes Are Gang Leaders (AAL, dia 2, 21h30), um projeto do saxofonista James Brandon Lewis e do poeta Thomas Sayers Ellis dedicado a Amiri Baraka, que irá reunir em palco 12 intérpretes; o octeto da flautista Nicole Mitchell (dia 4, 21h30), que terá direito ao Grande Auditório da Gulbenkian para apresentar “Mandorla Awakening II: Emerging Worlds”; o sexteto Freaks dos irmãos Théo e Valentin Ceccaldi (AAL, dia 8, 21h30), que trabalha no fim do alfabeto, entre Zappa e Zorn; e o trompetista Ambrose Akinmusire, também nos campos da spoken word e do rap tocando o álbum “Origami Harvest” (Blue Note, 2018) com dois quartetos em palco (AAL, dia 10, 21h30). Curiosamente, Ambrose Akinmusire foi o trompetista na gravação de “Code Girl”, mas no sexteto que Mary Halvorson traz a Lisboa será substituído por Adam O'Farrill (AAL, dia 11, 21h30). Por fim, refira-se que o disco "Songs of Resistance 1942-2018" (Anti), de Marc Ribot, foi considerado o melhor álbum de 2018 pelo crítico e colunista do Expresso João Lisboa. Nessa gravação, Ribot é acompanhado por variados cantores (Tom Waits, Me'Shell NdegéOcello ou Syd Straw, por exemplo), mas no JeA (AAL, dia 1, 21h30) será ele a cantar, acompanhado por Jay Rodriguez (saxofone tenor, flauta), Brad Jones (contrabaixo), Ches Smith (bateria) e Reinaldo de Jesus (percussão). Ainda no campo dos concertos com voz (neste caso com muita manipulação eletrónica), não esquecer o solo que a norueguesa Maja S. K. Ratkje vai fazer no Auditório 2 (dia 2, 18h30).
Restam dois destaques relativos a concertos no AAL: o baterista Tomas Fujiwara, antes de acompanhar Mary Halvorson, em “Code Girl”, acolhe a guitarrista no concerto Triple Double (dia 9, 21h30), que promete ser um dos pontos altos do programa. Com eles tocam Gerald Cleaver (bateria), Brandon Seabrook (guitarra elétrica), Ralph Alessi (trompete) e Taylor Ho Bynum (corneta); e o quarteto de Los Angeles Burning Ghosts (dia 3, 21h30), composto por Daniel Rosenboom (trompete e corneta), Jake Vossler (guitarra elétrica), Richard Lloyd Giddens, Jr. (contrabaixo) e Aaron McLendon (bateria), que anda nas margens mais vertiginosas do jazz e do rock que tanto agradam à Tzadik.
No Auditório 2 as apostas têm a tradição de ser seguras. O casal Ingrid Laubrock (saxofone soprano e tenor) e Tom Rainey (bateria) toca dia 3 às 18h30; o guitarrista Julien Desprez mostra-se no trio ABACAXI, com o baterista Max Andrzejewski e o baixista Jean François Riffaud (dia 8, 18h30); os bateristas Joey Baron e Robin Schulkowsky continuam o trabalho que mostraram no ano passado no disco “Now You Hear Me” (dia 9, 18h30); a harpista Zeena Parkins e o baterista Brian Chase (dos Yeah Yeah Yeahs) exploram o universo dos drones (dia 10, 18h30); e os guitarristas Han-earl Park e Nick Didkovsky confrontam-se com o saxofone tenor de Catherine Sikora (dia 11, 18h30).
A representação nacional será concentrada no dia 4 e assegurada por Abdul Moimême (Rui Horta Santos) a solo (SP, 17h); e pelo quarteto de Ricardo Toscano (saxofone alto), Rodrigo Pinheiro (piano), Miguel Mira (violoncelo) e Gabriel Ferrandini (bateria) — (A2, 18h30).
Os bilhetes estão à venda a partir desta sexta-feira, dia 12. O mais caro (€20) é o do concerto de abertura, de Marc Ribot. Os espetáculos no Auditório ao Ar Livre e o do Grande Auditório custam €15, os do Auditório 2 custam €6 e o de Abdul Moimême na Sala Polivalente tem entrada livre. Haverá quatro passes: €90 para o Anfiteatro e Grande Auditório (8 concertos); €50 para os concertos às 21h30 nos primeiros 4 dias; €45 para os concertos às 21h30 nos últimos 4 dias; e €20 para o Auditório 2 (7 concertos às 18h30).