“Esquecemos o quão frágil a democracia é”
11.04.2019 às 18h52
“Não devemos ver o passado como romântico. Nos anos 60 e 70 também havia radicais e, pior, terroristas na Europa”
Sheri Berman, especialista norte-americana em assuntos como democracia, autoritarismo e populismo, não crê que a democracia esteja fora de moda (“as pessoas preferem poder reger-se a si próprias”) mas tem a certeza de que há um problema de memória - e isso é um problema maior do que aparenta. A também professora da Universidade de Columbia deslocou-se a Lisboa a convite do Partido Socialista e deu esta quinta-feira uma conferência intitulada “A Esquerda contra o Populismo na Europa” (ISCTE)
O populismo é uma tremenda simplificação de equações muito complexas. Como é possível as pessoas aderirem a soluções políticas apresentadas como tão simples?
Vivemos numa época de muitas mudanças económicas, sociais, seja na Europa, nos Estados Unidos, mudanças demográficas, tecnológicas, na natureza da sociedade, e acho que são muitas alterações ao mesmo tempo. É uma situação que leva as pessoas a procurarem respostas para uma série de problemas difíceis e as respostas simples são muito atraentes, em particular quando surgem associadas à crítica de um certo ‘establishment’ que as pessoas sentem que não fez um bom trabalho a responder aos desafios. Muitas pessoas sentem que todas estas mudanças os fizeram ficar para trás, os puseram em risco, os desorientaram. Até certo ponto, culpam os governos por não terem lidado melhor com as mudanças. Eis que surge alguém a dizer que estas mudanças são culpa dos políticos ou dos governos. Ou que culpa as pessoas que vieram para o país e o mudaram ao ponto de levar os nacionais a sentirem-se mal, a sentirem que os benefícios e os recursos que deveriam ser distribuídos entre si vão para eles. Respostas como estas podem tornar-se fáceis se as pessoas não obtiverem outras melhores dos políticos, partidos e governos tradicionais. O populismo piora a situação em vez de melhorá-la.
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