CEO RESET. A dica de António Ramalho para convencer os investidores a apostarem na sua ideia de negócio
31.07.2019 às 18h31
António Ramalho é presidente do conselho de administração executivo do Novo Banco e o quinto dos dez CEO que, ao longo de 2019, revelarão as suas experiências e dicas de gestão no Expresso
José Fernandes
Para o CEO do Novo Banco é importante que a ideia de negócio seja simples e exequível e que os incentivos estejam alinhados. Este é o quinto de dez CEO que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “reset” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo
O CEO do Novo Banco explica como convencer um investidor a pôr dinheiro numa ideia de negócio. Para que ela se transforme num produto inovador que a procura deseje, o mais importante é que os incentivos estejam todos alinhados:
- “Acho fundamental que as ideias sejam simples e exequíveis e, sobretudo, que expliquem como é que o alinhamento dos incentivos pode ser obtido. Temos de ser cautelosos porque não damos dinheiro a uma ideia que não seja exequível e que não tenha os incentivos alinhados”
- “O grande problema é que a execução de ideias obriga a um profundo alinhamento dos incentivos de todos os stakeholders, sejam eles clientes, participantes, fornecedores, investidores… Ou seja, os modelos pelos quais nos guiamos devem ir no mesmo sentido e não ter os incentivos trocados, como é o caso de o mercado achar uma coisa diferente ou ter a vantagem de consumir uma coisa diferente daquela que nós temos”
- “As ideias mais inovadoras são aquelas que, em última instância, detetam uma procura inexistente. Durante muitos anos, pensei que a vida era dominada pela procura e, portanto, desde que nós percebêssemos a procura, conseguíamos satisfazê-la. Mas a idade tem-me permitido questionar-me se alguém terá alguma vez pedido um iPad”
- “Alguém teve a ideia do iPad e achou que poderia oferecer uma coisa entre o telemóvel e o computador. Isso é a genialidade da oferta. Mas, se calhar, não se teria conseguido tornar o produto real, sem alinhar os incentivos todos. Por exemplo, se o iPad não comunicasse com o iPhone…”
- “Portanto, sejam eles financeiros, emocionais, de necessidade… os incentivos têm de se encontrar. No fundo, é estar alinhado com os incentivos que existem na sociedade”.
António Ramalho é o quinto de dez gestores de empresas que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “RESET” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo. Acompanhe no site do Expresso as suas histórias, dicas e conselhos.