EDP Open Innovation

Dias de Energia: passo a passo a construir o "Lisbon Valley"

De passeio pela capital: As equipas finalistas do EDP Open Innovation têm aproveitado as duas semanas de aceleração para ficar a conhecer melhor Lisboa e o outro lado do Tejo. Aqui, pode-se ver parte da visita guiada que levou os participantes pela frente ribeirinha de Lisboa até ao MAAT, onde tiveram oportunidade de ver a instalação de Tadashi Kawamata

José Fernandes

Empreendedorismo: após duas semanas de aceleração e à medida que se aproxima o dia decisivo, as equipas finalistas mostram-se rendidas ao novo “alcance global de Portugal”

O cenário não podia ser mais adequado: Casa da Cerca, em Almada, com vista privilegiada para o casario de Lisboa. Foi no terraço panorâmico de um dos segredos mais bem guardados da margem sul que, com o olhar fixo na cidade, Ivanica Hancikova confessou ter a sensação de estar a fazer parte de um momento-chave num ecossistema empreendedor em constante expansão. “Estou a olhar para um novo Sillicon Valley. Pode ser mesmo o Lisbon Valley”, disse, entre risos. Pode parecer um desígnio algo utópico nesta fase, mas é demonstrativo da ambição que chamou os dez finalistas do EDP Open Innovation a Portugal para acelerarem o seu negócio.

Juntamente com o parceiro Milan Spicuk, os dois falaram durante uma visita que levou os participantes da sétima edição do projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP — e que resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação — a uma viagem de cacilheiro pelo rio Tejo e a um almoço na outra banda como forma de cimentar uma experiência que vá além do trabalho prático de aceleração que as equipas têm desenvolvido nas últimas duas semanas. “É um programa muito progressivo que nos tem ensinado como fazer negócios”, contam os representantes da startup baseada na República Checa cujo modelo de negócio consiste em automatizar análises financeiras com recurso a inteligência artificial e dados retirados das máquinas.

Expectativas superadas
Após já terem desenvolvido um projeto com a espanhola Iberdrola, queriam continuar a apostar na Península Ibérica e, quando souberam da competição, concorreram com o objetivo de estar mais próximos da EDP. “O contacto com os mentores tem sido muito importante para perceber como é que a nossa solução os pode beneficiar”, atiram, enquanto falam da importância da partilha próxima de espaço com startups do mesmo sector para definirem “como divergimos dos outros” e preocuparem- -se “com os detalhes”.

Fatores que podem fazer toda a diferença para o dia decisivo. Dá pelo nome de Demo Day e decorre na próxima terça-feira, 30 de outubro (saiba mais sobre o evento na caixa ao lado) e é quando os finalistas têm de fazer uma apresentação final perante o júri e uma plateia com investidores e potenciais interessados no seu projeto de negócio. Um reflexo do progresso demonstrado ao longo da fase prática que será o elemento decisivo na atribuição do grande prémio de €50 mil e de três lugares na Web Summit. E se ninguém esconde o desejo de figurar entre estes premiados, a opinião expressada sob a luz de Lisboa é que isso nem é o mais importante.

“Gostava de conseguir traduzir toda a energia que por aqui se tem passado, mas acho que não consigo”, conta Sachin Chitnin. O indiano a viver na Holanda está a representar a Sensfix, empresa que desenvolveu uma plataforma ligada à cloud que integra os dados provenientes da internet das coisas para os responsáveis pela manutenção de infraestruturas públicas detetarem e repararem falhas no serviço. Numa empresa também com ligação à Alemanha, não esconde a vontade de unir os quatro países e mostra-se impressionado com o novo “alcance global de Portugal”. O programa tem tido o efeito de o ajudar a “ligar os pontos pretos”, como num livro de ilustração, e o empreendedor acredita que os participantes vão agora “replicar este espírito por todo o mundo”. Sem deixar de realçar que todos mereciam estar na Web Summit porque “tem havido muito trabalho”.

Gonçalo Negrão que o diga. O responsável da Beta-I pela organização do Open Innovation garante que o grande desafio tem sido fazer com que os finalistas “tirem as máscaras e comecem a funcionar de forma menos mecanizada”. Processo de evolução das equipas que na sua opinião tem “superado as expectativas”, mas que agora têm de acelerar na fase de todas as decisões. “Têm que aprender a ouvir, dialogar e a aceitar críticas. Só assim é que verdadeiramente se pode fazer inovação aberta”, diz. Houve mesmo equipas que, ao longo destes dias, “já mudaram muito o âmbito do seu projeto inicial” através das conversas com os mentores, e a expectativa é que agora “estruturem o pensamento para apresentar o melhor piloto possível”. O que vai exigir muito esforço.

É o repto a que a Deep tem tentado responder e que já resultou em parte na “reformulação do projeto” que passa pela implementação de blockchain a nível empresarial para resolver problemas crónicos das operadoras energéticas. Palavra de Miguel Gomes, um dos representantes da startup alemã que, a jogar em casa, fala da oportunidade de “aprender com figuras importantes do sector” e do processo de perceber que “muitas das empresas que aqui estão podem-se complementar e colaborar”. Os contactos diretos e as sessões com responsáveis de diferentes áreas de negócios da EDP têm ilustrado a melhor forma de estabelecer “relações com a indústria”, e demonstram como, para entrar no programa, tem que se “estar disposto a colocar tudo em causa”. Com a certeza que muitas das ideias “vão causar grande impacto num prazo de dez anos”.

Ambição que não é alheia a um dos membros mais experientes do conjunto de finalistas. Michel Clemence viajou para Lisboa como um dos membros da Odite-E, empresa que oferece soluções inovadoras às operadoras energéticas para estas digitalizarem as suas redes e otimizarem os processos, a partir de uma plataforma ligada à cloud que recolhe informações de geradoras de energia. Na sua startup, a equipa está dividida “50/50” entre pessoas “com mais de 50 anos e abaixo dos 30”, pelo que já está mais que habituado às diferenças geracionais que cada vez menos se assumem como um obstáculo.

Sem parar
“Sabemos coisas que eles não sabem e vice-versa”, atira enquanto experimenta fazer eco na antiga cisterna da casa da Cerca. “Tem sido uma experiência interessante, surpreendente e disruptiva”, conta, sobretudo pela possibilidade de “estar em contacto com pessoas diferentes de todo o mundo”. O contacto com diferentes culturas é visto como essencial para o sucesso no atual mundo empresarial e o francês não tem dúvidas que a componente prática do programa já foi importante para abrir “novas portas na mente e nos negócios”. Por isso, é continuar a trabalhar para “passar para a próxima etapa”, com a garantia que a startup “não vai parar”. Exceto para conhecer Lisboa e os colegas de programa.

As pausas têm servido às equipas para se imiscuírem na cultura portuguesa e, para Gonçalo Negrão, esta vontade é um dos elementos mais distintivos deste grupo. “Querem perceber onde é que nós vamos habitualmente, quais são os sítios menos turísticos”, revela, ao mesmo tempo que diz que os participantes criaram um WhatsApp para poderem partilhar imagens entre eles. É algo que não esconde que o tem surpreendido. Mas como diz Ivanica Hancikova a olhar do outro lado: “Tenho um bom sentimento no coração quanto a Lisboa.”

Viagem que passou também pelo LACS (Lisbon Arts Communication & Studios), onde viram in loco um dos mais recentes espaços de coworking de Lisboa, sempre com ênfase na arte

Viagem que passou também pelo LACS (Lisbon Arts Communication & Studios), onde viram in loco um dos mais recentes espaços de coworking de Lisboa, sempre com ênfase na arte

José Fernandes

O que esperar do Demo Day

Dia e local
Vai decorrer a 30 de outubro (terçafeira) no LACS, o Lisbon Arts Communication & Studios, com apresentação de Alex Barrera, fundador e CEO do The Aleph Report

Apresentações
Cada uma das dez equipas terá três minutos para fazer o seu pitch final além de dois minutos para perguntas e respostas por parte da plateia de jurados e investidores

Convidados
O CEO da SOLShare, a primeira rede de partilha de energia solar doméstica será o grande orador da tarde, assim como António Mexia, o CEO da EDP, com quem vai participar num debate sobre os desafios futuros da energia

Festa
Após o anúncio do vencedor de €50 mil e dos três escolhidos para a Web Summit, segue-se um evento de networking no terraço com vista para o rio

Olhar de outra forma para as startups

Para a edição 2019 da Web Summit, o stand que acolhe os três melhores projetos do EDP Open Innovation promete novidades

“Estamos muito entusiasmados com o que preparámos para a edição deste ano da Web Summit”, atira o administrador da EDP Inovação, Luís Manuel. Após o carrossel onde os interessados podiam fazer pitches enquanto andavam (literalmente) à roda e que chamou a atenção dos visitantes das duas anteriores edições da Web Summit, a operadora quer continuar a inovar e a atrair mais empreendedores para o seu ecossistema.

Entre as centenas de milhares de visitantes que Lisboa espera receber para os três dias do certame que vai marcar a atualidade, estarão certamente potenciais parceiros de negócio ou novos empreendedores prontos a integrar o universo da EDP. E a operadora não quer desperdiçar esse capital humano e empresarial. Serão 100 metros quadrados dedicados à inovação com o objetivo de que as pessoas olhem de forma diferente para as startups e para o empreendedorismo, tendo como ponto de partida a origem dos projetos e a importância dos responsáveis da EDP estarem atentos aos momentos de inspiração. No fundo, o mais importante é criar uma plataforma para reconhecer o potencial dessas ideias e criar as condições necessárias para as fazer acontecer.

“Este evento tem servido não só para mostrarmos o que o grupo EDP tem feito para apoiar a inovação e o empreendedorismo como para conhecermos ideias e equipas verdadeiramente inspiradoras”, garante Luís Manuel, enquanto fala de uma novidade que só será “revelada no evento” mas que o administrador deixa antever da seguinte forma: “Vamos elevar as ideias e o potencial destas empresas.”

Passaram depois para a margem sul e para Almada, com direito a passeio pelo cais do Ginjal e a sua vista privilegiada

Passaram depois para a margem sul e para Almada, com direito a passeio pelo cais do Ginjal e a sua vista privilegiada

José Fernandes

No stand, vai ser possível conhecer todo o ecossistema de apoio ao empreendedorismo da EDP Inovação, além de três módulos de diálogo e informação, que facilitam a partilha de ideias entre os empreendedores e estimulam a curiosidade do público. Ao longo dos três dias do evento, a operadora vai levar ainda 13 startups integradas no universo EDP para que possam estar numa das maiores montras de empreendedorismo do mundo.

“Depois de termos ouvido mais de 200 startups em cada uma das edições da Web Summit, através do empenho das mais de 30 pessoas da EDP Inovação que estão no evento, estamos confiantes no sucesso da edição deste ano”, diz Luís Manuel.

Textos originalmente publicados no Expresso de 27 de outubro de 2018