Internacional

Pedro Siza Vieira: “Não estamos à beira de uma crise global, mas temos várias crises entre mãos que teremos de enfrentar juntos”

FOTO RUI FARINHA/LUSA

Pedro Siza Vieira defendeu esta segunda-feira “soluções globais para problemas globais” num painel dedicado ao tema Governança Global num Mundo em Mudança. O ministro português da Economia falou no âmbito da edição 2019 do Horasis Global Meeting, que decorre até terça-feira no Estoril

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

“Não estou convencido de que teremos uma nova crise como a última crise financeira global, mas temos várias crises entre mãos que teremos de enfrentar juntos”, disse o ministro português da Economia esta terça-feira durante o painel “Governança Global num Mundo em Mudança” no qual participou no âmbito do Horasis Global Meeting.

Pedro Siza Vieira respondeu à questão que problematizava se os tempos de crise serão oportunidades para agilizar soluções conjuntas, sublinhando a importância de “poder dispôr de instituições e estruturas pré-estabelecidas e firmadas” para poder “saber articular” novas formas de “responder às crises”.

“Não deveríamos desvalorizar o facto de vivermos num mundo globalizado e de dispormos do grau de conectividade que está ao nosso alcance”, defendeu o ministro da Economia. Questões prementes ainda sem solução, como a proteção da propriedade intelectual e a expectativa perante o resultado da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, ocupam alguns dos palcos principais da expectativa global enquanto muitas questões relativas ao desenvolvimento continuam por responder.

Transição é a palavra-chave de muitos das dezenas de painéis que dividem entre si os temas caros à temática geral, “Catalisando os benefícios da Globalização”. Tentando olhar para futuro e dar forma ao desconhecido, dirigentes, políticos, empresários, pensadores, cientistas políticos e jornalistas, entre outros, convidados a tomar a palavra neste Horasis, debruçaram-se sobre a velocidade da evolução tecnológica e as alterações que esta imprime aos padrões estabelecidos pelos ocidentais no pós-guerra, mais o seu impacto nas diferentes sociedades.

Para criar um ritmo exequível, o ex-primeiro-ministro da Roménia, Dacian Ciolos, defendeu que se começasse por “negociações regionais” que venham a ser passíveis de ser aplicadas a escalas maiores, alertando, no entanto, para a “complexidade” que deriva da multiplicação de membros de grupos como a União Europeia.

Estará o mundo pronto para colaborar na reação a uma crise global? “Quando a crise chega a capacidade de lidar com ela aumenta”, defendeu o ex-Presidente da Eslovénia e atual presidente do Painel Global da ONU para a Água e para a Paz. “No entanto, a atmosfera política é hoje pior do que em 2007”, acrescentou Danilo Türk, aconselhando “sermos cautelosos com as expectativas”.

As migrações foram um dos temas recorrentes da edição 2019 do Horasis Global Meeting, que reuniu no Estoril mais de 800 pessoas entre sábado e esta terça-feira, com o fim de discutirem juntos as fórmulas que possam vir a ajudar a adaptar a globalização ao futuro que se segue.

Sobre este assunto, Pedro Siza Vieira lembrou a repercussão do aumento da desigualdade, recusou o populismo como resposta e defendendo o direito de as pessoas procurarem uma vida melhor, chamou a atenção para a necessidade de encontrar soluções a nível global: “A resposta à globalização não passa por construir muros nem fechar fronteiras. Não faz sentido”, disse.