Internacional

Militares forçam demissão do Presidente do Sudão

Mohamed Nureldin Abdallah/Reuters

A queda de Omar al-Bashir, Presidente do Sudão nos últimos 30 anos, foi anunciada esta quinta-feira. Citando fontes oficiais sudanesas, a agência Reuters adianta que a demissão do Presidente foi instada pelos militares. A liderança autocrática chegou ao fim e está em preparação um conselho transitório para tomar em mãos o governo da República do Sudão. Fontes da segurança sudanesa anunciam a libertação de presos políticos

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O Serviço de Informação e Segurança Nacional do Sudão anunciou a libertação de todos os presos políticos em todo o país, anunciou a agência estatal SUNA esta quinta-feira.

A declaração surgiu na sequência da deposição do Presidente Omar al-Bashir instada pelos militares.

Os tanques marcaram presença nas ruas de Cartum esta quinta-feira no mesmo espaço da cidade onde uma série de manifestações persistiam desde 19 de dezembro exigindo a saída de Omar al-Bashir. Logo de madrugada, os militares tomaram o controlo da televisão estatal e do aeroporto.

Num comunicado, o ministro da Defesa e general do exército, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, declarou que um conselho transitório militar governará o país nos próximos dois anos, findos os quais haverá eleições, escreve o diário britânico "The Guardian".

"Examinando o que se tem passado no Estado e o estado da corrupção que existe há muito tempo", disse o ministro, "os pobres estão mais pobres e os ricos continuam ricos e não há igualdade para as pessoas", concluiu.

Fontes governamentais confirmaram à Reuters que "o Presidente tinha sido aliviado das suas funções" e que fontes do exército, responsável pela deposição do chefe de Estado, anunciariam esta quinta-feira através da televisão estatal o resultado das consultas para formar um conselho militar de governação.

Bashir, 75 anos, encontra-se em prisão domiciliária sob "guarda reforçada".

Soldados invadiram logo de madrugada a sede do Movimento Islâmico de Al-Bashir, o principal componente da formação política no Governo, Partido do Congresso Nacional, testemunhou a Reuters no local. Milhares de pessoas acorreram à zona em torno do ministério da Defesa, onde se situa a residência oficial do Presidente, e multidões saíram às ruas da capital dançando e cantando slogans anti-Bashir: "Caiu! Ganhámos!".

"Não aceitaremos os cúmplices de Bashir"

Os manifestantes responderam ao rumor segundo o qual o líder autocrático seria substituído pelo seu número dois e ministro da Defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf com uma palavra: inaceitável.

"Aguardamos boas noticias, as notícias alegres pelas quais esperámos 30 anos", dizia Nadine Ala al-Din à Arabiya TV, citada pela Reuters, secundada por Mohamed Adam, de 44 anos, que dizia: "Não aceitaremos os ajudantes de Bashir na nova situação do país. Aquelas pessoas mataram manifestantes".

Atualizado às 13h30