Espanha prepara-se para receber migrantes do navio “Open Arms”
18.08.2019 às 13h32
JUAN MEDINA/REUTERS
Pedro Sánchez anunciou este domingo na rede social twitter que está disponível para deixar atracar o navio humanitário “Open Arms” no porto de Algeciras. Sánchez diz que é “inconcebível” a recusa do Executivo de Roma em não autorizar o desembarque dos 107 migrantes resgatados que foram resgatados há 17 dias. Sánchez repete o gesto solidário que teve, em junho de 2018, com os 600 migrantes a bordo do “Aquarius” que desembarcaram em Valencia
O Governo de Espanha está disponível para receber o navio humanitário "Open Arms" em Algeciras (sul) face à "inconcebível" recusa de Itália em autorizar o desembarque dos 107 migrantes resgatados do mar há 17 dias.O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, "ordenou hoje a habilitação do porto de Algeciras para receber o navio 'Open Arms'" devido à "situação de emergência a bordo" e à "inconcebível" atuação das autoridades italianas, anunciou o governo de Madrid num comunicado.
“A inconcebível resposta das autoridades italianas, e em concreto do ministro do Interior, Matteo Salvini, de fechar todos os seus portos, e as dificuldades expostas por outros países do Mediterrâneo Central, levaram Espanha a liderar mais uma vez a resposta a uma crise humanitária”, acrescenta o chefe do Executivo espanhol, Pedro Sánchez .
A ONG espanhola que é responsável pelo navio de resgate “Open Arms” recusou a oferta de Madrid, por considerar que os migrantes, ao fim de 17 dias fechados dentro do barco, não têm condições para enfrentar a viagem do sul de Itália até ao sul de Espanha, que pode levar cinco dias.
O navio está ao largo da ilha de Lampedusa, a 950 milhas marítimas do porto de Algeciras.
O Governo italiano tem permitido vários desembarques pontuais; o mais recente foi o desembarque de 27 menores não acompanhados em Lampedusa.
O comunicado do Governo espanhol lembra que "os portos espanhóis não são nem os mais próximos nem os mais seguros para o 'Open Arms', como os próprios responsáveis do navio têm repetido, mas neste momento Espanha é o único país disposto a acolhê-lo no quadro de uma solução europeia"."A situação dos migrantes do 'Open Arms' causou, desde o primeiro momento, grande preocupação no executivo, cujo propósito foi encontrar a melhor solução comum que, após a receção do navio, prosseguirá com a repartição dos migrantes acordada por seis países membros, entre eles Espanha", refere ainda o comunicado.
JON NAZCA/REUTERS
O "Open Arms", operado pela ONG espanhola Proativa Open Arms, está ao largo da ilha italiana de Lampedusa desde 1 de agosto, quando resgatou 147 migrantes do Mar Mediterrâneo, ao largo da Líbia, mas os dois países mais próximos, Itália e Malta, recusaram-lhe o acesso aos seus portos.
Atualmente, estão 107 migrantes e 19 voluntários a bordo, depois de, no sábado, a Itália ter autorizado a retirada de 27 menores não-acompanhados e de várias operações para retirar do navio pessoas a precisar de assistência médica urgente.
Apesar de, na quinta-feira, seis países europeus - Portugal, Espanha, Alemanha, França, Luxemburgo Roménia - se terem oferecido para receber os migrantes a bordo do navio humanitário, o Open Arms continua sem autorização do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, para aportar.
No comunicado, Espanha volta a sublinhar "o intenso labor dos navios espanhóis na sua zona de responsabilidade", que "certificam o cumprimento dos tratados internacionais", afirmando que "entre 2018 e 2019, os serviços de salvamento marítimo [...] resgataram e conduziram a portos espanhóis mais de 60 mil pessoas".
"Espanha é hoje, com grande diferença, o país da União Europeia que mais resgates realiza no Mediterrâneo", afirma o comunicado.