Internacional

Milhares de pessoas nas ruas de Hong Kong. Este é o 11º fim de semana de protestos

18.08.2019 às 9h49

Este domingo (18 de agosto) há milhares de pessoas nas ruas. Ontem (dia 17) foi o primeiro dia de protestos sem cargas policiais

KIM HONG-JI/REUTERS

Este domingo, milhares e milhares de pessoas, vestidas de preto, vão desfilar pelas ruas de Hong Kong. Querem recentrar as reivindicações, dias depois de uma fação extremista ter causado confrontos violentos no aeroporto. Sábado, foi o primeiro dia de protestos, inteiramente pacíficos, sem intervenção da polícia

O Parque Vitória — bem no centro de Hong Kong — é o local escolhido para a concentração dos manifestantes. É a partir daí que milhares de pessoas de todas as idades desfilam pelas ruas de Hong Kong, no segundo dia do 11º fim de semana de protestos. A assinalar que sábado foi o primeiro dia em que a polícia não usou força contra manifestantes.

Tal como as anteriores, a manifestação deste domingo foi convocada pelo movimento pró-democracia, que tem liderado os protestos no território. Nestes meses houve uma greve geral que paralisou a cidade, “contestações marcadas por violentos confrontos e de dias de caos vividos no aeroporto internacional do território”, escreve João Carreira, jornalista da agência Lusa que relata a concentração deste domingo, dia em que a Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH) volta a promover um protesto pacífico para aumentar a pressão sobre o Governo de Hong Kong.

São cinco os objetivos da marcha deste domingo

  • Retirada definitiva das emendas à lei da extradição.
  • Libertação dos manifestantes detidos
  • Exigir que os protestos não sejam considerados motins
  • Exigir um inquérito independente à violência policial
  • Exigir a demissão da chefe do Executivo do território, Carrie Lam
Concentração de manifestantes no Parque Vitória. Este domingo (18 de agosto) em Hong Kong

Concentração de manifestantes no Parque Vitória. Este domingo (18 de agosto) em Hong Kong

THOMAS PETER/REUTERS

A luta inclui o direito ao sufrágio universal

Com o som de fundo de palavras de ordem como "Hong Kong livre" e "democracia agora" entoadas por manifestantes concentrados no parque Vitória, a porta-voz do movimento que lidera os protestos pró-democracia em Hong Kong diz que os problemas em Hong Kong “não se resolverão enquanto não existir sufrágio universal” no território.

Os protestos começaram no domingo, 9 de junho. Na origem do movimento, esteve a contestação à lei da extradição. Os organizadores dos protestos consideram que a entrada em vigor desta lei deixa Hong Kong à mercê do sistema judicial chinês, e de uma que não garante a salvaguarda dos direitos humanos.

De então para cá, a lista de reivindicações tem sido ajustada e aumentada, surgindo agora a questão das eleições livres e diretas.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu a 1 de julho, quando o Conselho Legislativo de Hong Kong foi invadido por manifestantes. No início da última semana, o aeroporto de Hong Kong, um dos mais movimentados do mundo, foi ocupado por uma fação radical de manifestantes, o que levou ao cancelamento de centenas de voos — segunda e na terça-feira.

Hong Kong foi uma colónia britânica. A transferência de soberania do território foi 1997, com o estatuto de Região Administrativa Especial, que formalmente garante o estatuto de autonomia.