Internacional

China acusa Conselho da Europa de "apoiar terrorismo"

29.08.2019 às 13h59

FREDERIC J. BROWN

No centro desta declaração está a nomeação de Ilham Tohti para Prémio dos Direitos Humanos Vaclav Havel 2019

A China acusou esta quinta-feira o Conselho da Europa de "apoiar o terrorismo" por ter pré-selecionado um intelectual uigure detido no país para receber o Prémio dos Direitos Humanos Vaclav Havel 2019.

Ilham Tohti, condenado em 2014 pela justiça chinesa à pena perpétua por separatismo, é membro da etnia muçulmana uigure, maioritária no Xinjiang, vasta região no noroeste da China.

O Conselho da Europa anunciou esta semana que Tohti foi selecionado, juntamente com o advogado tajique Buzurmehr Yorov e uma iniciativa de jovens dos Balcãs, para receber o Prémio Vaclav Havel, que recompensa ações excecionais da sociedade civil na defesa dos direitos humanos.

Mas o porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, considerou que o professor de economia, de 49 anos, é "um separatista que apoia o terrorismo".

"Esta nomeação visa branquear os seus atos criminosos e enganar a comunidade dos direitos humanos", afirmou.

"Apelamos à instituição em causa para que retire essa nomeação e pare de apoiar atividades separatistas e terrorismo", adiantou.

Segundo a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), Ilham Tohti "trabalha há mais de 20 anos para melhorar a situação da minoria uigure e promover o diálogo e a compreensão entre etnias na China".

Tohti também foi recomendado por congressistas norte-americanos para receber o Prémio Nobel da Paz 2019 e associações de defesa dos direitos humanos calculam que a China tenha colocado até um milhão de pessoas, uigures e outros membros de minorias sobretudo muçulmanas, em campos de reeducação.

Pequim nega há muito a existência desses campos, dizendo tratar-se de centros de formação para lutar contra o extremismo.

Criado em 2013 e no valor de 60 mil euros, o Prémio Vaclav Havel será entregue em Estrasburgo (França) a 30 de setembro.