Política

Secretário-geral do PSD não se demite e assinala rapidez do Ministério Público

Feliciano Barreiras Duarte diz-se “totalmente disponível para colaborar” na investigação do DIAP às suspeitas sobre o seu currículo académico

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

DR

Feliciano Barreiras Duarte vai continuar a ser o secretario-geral do PSD apesar da investigação de que é alvo por ter incluído, há anos, uma informação falsa no seu currículo oficial. O Ministério Público informou esta terça-feira que as suspeitas que recaem sobre o deputado e responsável do PSD foram remetidas para investigação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

A abertura do inquérito não implicará, para já, qualquer ajuste na direção de Rui Rio: Barreiras Duarte não tenciona demitir-se, e encara com naturalidade o desenrolar deste caso. Depois da notícia do “Sol” dando conta de que o social-democrata nunca foi “visiting scholar” na Universidade da Califórnia, Berkeley - cargo que tinha há anos no seu currículo oficial -, e depois de uma responsável da universidade ter classificado como forjado um documento apresentado pelo deputado em sua defesa, Barreiras Duarte considera que “é normal” a abertura do inquérito. Mas não deixa de notar que “neste caso” o Ministério Público actuou “depressa”, tendo em conta que a notícia que desencadeou este caso foi publicada no sábado.

Em declarações ao Expresso, Barreiras Duarte diz estar “totalmente disponível para colaborar com o DIAP, explicar todo o meu trajeto académico e apresentar todo trabalho de investigação que fiz ao longo destes anos”.

Mas nada do que Barreiras Duarte apresentar poderá validar a alegação de que seria professor visitante na universidade norte-americana, com a qual planeou há dez anos fazer trabalho académico que nunca se chegou a concretizar. Tanto que Barreiras Duarte já eliminou esse ponto do seu currículo.

O novo secretário-geral do PSD falou com Rui Rio sobre o assunto ainda antes de ser publicada a primeira notícia. Rio, sabe o Expresso, entendeu e aceitou as explicações do seu secretario-geral. Aliás, já estaria à espera de novos casos envolvendo gente da sua entourage mais próxima.

Por isso Rio desvalorizou o caso quando foi confrontado com ele no domingo, quando assistiu ao encerramento do congresso do CDS. "É inequívoco que ele [Barreiras Duarte] fez referência a um aspeto do seu currículo que não era preciso e corrigiu, é esta informação que eu tenho e ele deu essa informação à comunicação social”, disse Rio aos jornalistas, resumindo tudo a um pormenor que estaria a mais no currículo oficial do seu braço-direito. “Há um aspeto do seu currículo que estava a mais, não estava preciso, e ele corrigiu".

Segundo a Sábado, Barreiras Duarte também se apresentou como “visiting scholar” na Universidade da Califórnia no relatório do seu percurso profissional que acompanhou a sua tese de mestrado na Universidade Autónoma de Lisboa. O mesmo currículo foi, depois, entregue no processo de doutoramento, que decorre desde 2015.

De acordo com o Observador, a UAL vai agora analisar o processo académico de Barreiras Duarte para avaliar se o estatuto de “visiting scholar” de Berkeley, um dos elementos que lhe permitiu dispensar a frequência de aulas, foi preponderante essa dispensa, no âmbito do doutoramento que Barreiras Duarte ainda não concluiu.