Rui Rio diz que “à direita nunca haverá uma geringonça”
28.08.2019 às 13h31
Rui Rio não terá tempo para andar na estrada e quer campanha criativa
RUI DUARTE SILVA
Assunção Cristas disse esta semana ser “perfeitamente possível” e “desejável” que os partidos do centro-direita conversem no sentido de viabilizar uma “geringonça à direita”, mas Rui descarta essa possibilidade. “Os partidos vão sozinhos às eleições”, depois logo se vê, sugeriu
O assunto começou por ser outro mas rapidamente resvalou para as eleições legislativas. Questionado pelos jornalistas em Guimarães sobre a possibilidade de um entendimento entre o PSD e o CDS, Rui Rio afirmou que o “parceiro natural” dos sociais-democratas, no caso de ser necessário “ter outro partido para obter uma maioria parlamentar”, é o CDS, mas que disso numa resultará uma “geringonça à direita”.
“À direita nunca haverá uma geringonça, porque isso pressupõe uma coisa mal amanhada, e montada à pressa e de qualquer maneira, só para chegar ao poder”, afirmou Rio, que não afasta, porém, um entendimento pós-eleições com o partido de Assunção Cristas. “Há diferenças, mas não são estruturais e em setores fundamentais, como a defesa e a política externa, como acontece com o PS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista.” Ainda assim, como “única alternativa de liderança” ao atual Governo socialista “só há o PSD”, disse o líder social-democrata. A única alternativa a Costa sou eu”, reforçou.
Rui Rio respondia assim às declarações de Assunção Cristas, que na terça-feira, na TVI24, disse ser “perfeitamente possível” e “desejável” que os partidos do centro-direita conversem no sentido de viabilizar uma “geringonça à direita”, da qual apenas excluiria o partido Chega, liderado por André Ventura. “Eu sempre disse que, para termos 116 deputados de maioria, faria sentido, depois das eleições, ter uma coligação com aqueles que elegerem. Devo dizer que desses todos, parece-me que há um que está a mais, que é o Basta, mas com os outros todos acho que é perfeitamente possível conversarmos, e desejável”, afirmou.
Mas Rio foi também confrontado pelos jornalistas com as declarações do líder da bancada do CDS, Nuno Magalhães, que na segunda-feira, e em entrevista ao jornal Público, defendeu as vantagens de uma “coligação de direita que incluísse o CDS, o PSD e o Aliança”, e que Rio “nunca desejou”. O líder social-democrata começou por dizer que não sabia “interpretar” essa afirmação e depois acrescentou: “O que eu sempre disse é que os partidos vão sozinhos às eleições. Não disse que, depois disso, não podiam ser feitas coligações.”