André Silva recusa PAN como "pin na camisa do governo"
29.08.2019 às 7h28
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
André Silva recusa a ideia que PAN venha a ser, na próxima legislatura, “um apontamento, um pin na camisa, do Governo”.
Quase ao mesmo tempo que António Costa diz não ter interesse em coligações governamentais, André Silva afirma que “não faz sentido apoiar um governo sem acordo escrito”. “Não me faz sentido que o PAN, a apoiar qualquer solução governativa, o faça sem estar muito claro, escrito, o que são as responsabilidades de cada um, aquilo a que está obrigado e aquilo a que não está obrigado. Fazer a sustentação de um país com base numa conversa muito bem intencionada e em que não haja nada redigido não me parece que seja caminho. Para o PAN não será caminho, certamente”, diz o líder do PAN, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quinta-feira.
Segundo André Silva, em todo o caso, ainda é cedo para se discutir a possibilidade do PAN vir a servir de base parlamentar ao PS. “Eu acho que é precoce falarmos nessa questão, na medida em que temos de fazer toda uma campanha. Depois dos resultados das eleições estamos sempre disponíveis para conversar. O PAN e o PS são partidos completamente diferentes, com visões da economia completamente diferentes”, explica.
Para o deputado, é importante que o PS não consiga uma maioria absoluta nas eleições legislativas. Foi devido a não ter essa maioria em 2015, aponta o deputado, que o Governo acabou por acolher algumas das propostas do PAN. “O PS só acolhe estas propostas [do PAN] porque tem uma predisposição e humildade diferentes do que quando tem maioria absoluta. E daí ser extremamente importante reforçar a posição do PAN”, atira.
O deputado recusa também a ideia que PAN venha a ser, na próxima legislatura, “um apontamento, um pin na camisa, do Governo”.
Ainda na mesma entrevista, André Silva foge também à ideia de que o PAN seja um partido de esquerda, apesar de ter votado favoravelmente três dos quatro orçamentos de Estado da legislatura. “Muito mais do que em esquerda ou direita, nós revemo-nos numa discussão entre conservador e progressista, onde nós nos consideramos mais progressistas. E é natural que alguma esquerda, não toda, tenha medidas mais progressistas que vão ao encontro do PAN. O facto de termos votado os orçamentos do Governo... Nós recusámos sempre entrar no parlamento e ter uma posição de oposição pura e dura, só por si. E houve abertura do PS para acolher algumas das nossas propostas”, afirma.